segunda-feira, 9 de setembro de 2013

. . . relembrando para não mais esquecer . . .


. . . sentindo a alma reencontrando o caminho
dos transbordamentos de alegria,
de amor e de emoção . . .

. . . sentindo a força da VIDA dentro de mim crescer
 para além dos meus medos . . .

. . . redescobrindo que, para o meu Ser,
 a dança, a música, a arte,
o ser-tão-natureza,
é que dão Vida à minha vida . . .

. . . porque dançar derrete e faz fluir
tudo aquilo que os meus descuidos e negações
transformaram em pedras dentro de mim . . .

. . . porque a dança e a música
é que fazem florescer a primavera dentro de mim . . .

. . . porque são elas que dissipam as nuvens
que cobrem o SOL do meu entusiasmo,
da minha alegria-de-viver . . .

. . . porque esse par cósmico
é que faz res-pirar a minha alma . . .

Resta, dentro de mim, uma pergunta apenas:
como é que um dia pude me esquecer?

Isabela Crema, 09/09/2013
...reverberações pós dançaterapia...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Eu-Natureza


Sempre achei muito sintomático o fato de falarmos "da" natureza na terceira pessoa. Como se "ela" estivesse fora de nós... Como se não nos dissesse respeito... Como se nela pudéssemos entrar e sair...

Nos referimos à esta estranha entidade, misteriosa e perigosa, como se os elementos que constituem os nossos corpos fossem diferentes dos que habitam os coelhos e os lobos, as frutas e árvores, as conchas do mar e as gaivotas, as formigas e peixes, as cavernas e os oceanos...

Como se a água dos nossos corpos fosse diferente das que correm nos rios, brotam das nascentes e despencam do céu nas tempestades... Como se o sal das nossas lágrimas fosse diferente do sal do mar... como se os nossos ossos fossem compostos de outros elementos que não os presentes nas grutas calcárias, nas pedras e rochedos... Como se o nosso sangue fosse diferente do sangue dos lobos, dos tamanduás, dos beija-flores, dos peixe-bois, dos golfinhos e dos macacos. Como se o ar que respiramos fosse diferente daquele produzido pelas árvores, plantas e algas marinhas e que sustenta a vida de todos os outros animais desta terra.

É tão simples... quando eu morrer meu corpo adubará os campos... adubará os campos após alimentar uma infinidade de pequeninas vidas que, do alto na nossa arrogância humana, consideramos inferiores... pequeninas vidas "inferiores" capazes de manter o equilíbrio do sistema vivo do qual fazemos parte para que possamos curtir a beleza dessa vida... ou nos empenharmos em nos separar daquilo que somos enquanto destruímos a casa que é a nossa própria, sem nem saber.

E ainda nos gabamos de sermos o topo da cadeia alimentar... Acreditando que evolução é estar separado e distante da terra, pisando em chãos de acrílicos com solados de borracha, entupindo e viciando nossos sentidos com aromas, imagens, sabores e sensações plásticas e artificiais. Ensurdecendo nossos ouvidos com ruídos mecânicos que impedem que a melodia da vida nos penetre a alma...

Falar da natureza na terceira pessoa é atestar que estamos adormecidos para o fato de que SOMOS natureza... É consentir na coisificação de tudo o que sustenta a nossa vida, pois para que consigamos destruir algo é preciso, primeiro,  que não nos sintamos parte deste algo. Pois como eu destruiria o meu próprio corpo, a minha própria casa, a minha fonte de nutrição e saúde, sendo uma pessoa sã?

Acreditarmos na ilusão de que somos separados foi o que nos permitiu escravizar-nos uns aos outros. É o que nos autoriza internamente a usar outras pessoas e animais, a destruir nossas florestas e sistemas naturais, a jogar bombas de um avião em alguma cidade de outro país...

A natureza não existe. Essa estranha forasteira que, por ser outra e não eu mesma, pode ser vendida, extorquida, humilhada, devastada e explorada simplesmente não existe.

O que existe é o fato de que tudo o que fazemos com este “outro”, fazemos à nós mesmos pelo simples fato de esse outro ser apenas um fruto da nossa imaginação. Cedo ou tarde, tudo o que causamos “lá fora” baterá na nossa porta. Cedo ou tarde, tudo o que plantamos há de vingar!

Não existe a natureza.

O que existe é EU-NATUREZA.


Isabela Crema 22/03/2013





segunda-feira, 4 de março de 2013

Ser-Mulher


Ser-Mulher

Sou mulher e, como uma verdadeira representante da minha patota nestes tempos em que vivemos, ora sofro do complexo “dou conta de tudo, tudo, tudinho, agora mesmo!”, ora sofro do complexo “chega! Não quero mais nada! Faça você (quem quer que seja – de preferência um homem) todo esse tudo, tudo, tudinho”!

Vivo transitando entre os extremos super-mulher-toda-poderosa e a sobrecarregada-reclamona-meleca-de-nada.

É isso: fomos tanto tempo aprisionadas, caladas, amordaçadas, castradas, mandadas, que tivemos que lutar bravamente pela nossa liberdade... mas, coitadas de nós, fomos logo acreditar que liberdade é assumir todos os papéis de importância na sociedade (provedora, super-mãe, trabalhadora) sendo ainda linda, sexy, esbelta, gostosa, sempre funcionando no modo “pode vir quente que eu estou fervendo”.

No meio desse caminho-torto, descobrimos que as outras de nós eram também competidoras pelo tão sonhado troféu mulher-bem-sucedida-independente-rica-criativa-supermãe-linda-gostosa-sexy-e-ativa.

E, quando nos demos conta de quantas éramos, não hesitamos em concluir, no fundinho escuro de nós mesmas, de que era preciso competir! Era preciso ser mais e mais e mais para ser A MELHOR e ganhar o troféu do reconhecimento social e, quem sabe, de quebra, ser convidada para posar na playboy.
Já ouvi dizer que “assim caminha a humanidade”. Pois eu discordo. Eu digo que “assim caminhou a desumanidade”.
Quando ainda estava perdida no meio desse caminho-torto, lembro de sentir, lá no profundo (talvez do meu útero), um desejo enorme de pertencer à um grupo de amigas – coisa que nunca havia tido pois, sendo todas competidoras pelo mesmo prêmio, preferi sempre me refugiar junto aos homens.
Pois que a Vida, que é viva e acolhe os nossos desejos verdadeiros mais profundos, foi, aos poucos (e na medida em que eu despertava do pesadelo do caminho-torto), me presenteando com indivíduos desta espécie feminina, tão raras, tão lindas, tão belas, tão únicas, tão inspiradoras, tão brilhantes, que partes até então adormecidas do meu ser começaram a desabrochar por pura ressonância...

E, pouco a pouco, esse clã feminino (sim, é muito mais que um grupo, é um clã) foi acontecendo e, como é da nossa natureza feminina mais essencial, o acolhimento e a busca pela beleza verdadeira, ele permanece sempre aberto às novas cores e aromas e infinitudes humanas possíveis e impossíveis.

Então eu descobri...

Que a palavra AMIGA, segundo minha própria teoria de pensamentos cá com meus botões, foi construída desta forma, tão bem-pensadamente, pois carrega, na frente de TUDO, o AMor!

Que mulheres, para serem saudáveis, precisam umas das outras para deitar no colo e chorar de dor... e para cair no chão de tanto rir... rir, rir, rir... gargalhadas de bruxas felizes, poderosas, unidas e, portanto, sãs!

Que mulheres, quando se encontram verdadeiramente, desbloqueiam todos os entupimentos de alma com as ferramentas do riso, da alegria, do acolhimento, dos beijos e abraços mágicos e elevadores da alma!

Que, na matilha (matilha sim, pois também somos lobas!), a força do feminino-de-milhões-de-face autoriza que sejamos assim como somos, com todas as nossas belezas e todas as nossas pequenezas, sem nada excluir.

Que ter a permissão de ser tudo o que se é perante as outras é uma das coisas mais libertadoras e deliciosas que existe!  

Que ter alguém com quem gargalhar de si mesma, das suas próprias mazelas, e ainda assim sentir-se totalmente acolhida e confiante do respeito com o qual é tratada a sua própria dor, é algo impagável e indispensável à saúde feminina!

Que, na matilha, somos LINDAS por sermos do tamanho que somos – o tamanho do aqui e agora, não importando a numeração da calça, o tamanho do sutiã, o peso da balança ou a marcação na fita métrica...

Porque AMiga é mestra na arte de adivinhar risos e lágrimas e, principalmente, mestras na arte de extrair a flor da dor.

Porque AMiga derrete as ânsias e alimenta os anseios por uma vida plena de alegria, plena de humanidade e simplesmente feliz!

Isabela Crema 20/08/2012


sábado, 29 de dezembro de 2012

Oração do dia



Chega...
Chega dessas correntes...
Chega das grades com as quais me vesti!

Cansei de ser marionete de decisões e planos inconscientes, brotados da dor da minha criança.
Cansei de consentir com o desejo alheio, fazer o que quer que seja para deixar outrem satisfeito
E, assim, renunciar aos meus próprios desejos e sonhos profundos...
Cansei de brincar de João bobo com o meu coração.

Basta desta necessidade de aprovação alheia...
Basta de mendigar amor...
Basta de confundir esse amor falso, mendigável, com o verdadeiro Amor.
Pois o que é verdadeiro vem de graça, vem da graça: não se vende, não se negocia, menos ainda se mendiga.

Chega de trair a mim mesma para agradar aos outros...
Chega de vender a minha liberdade por alguns trocados de estabilidade...
Chega de confundir estabilidade com paz ...
Chega de sufocar meu grito para não ser inconveniente...
Chega de assassinar a minha criatividade para ver-me incluída no grupo que convencionou-se chamar de “pessoas bem sucedidas”.

Porque estou cheia das minhas próprias mentiras...
Cansada do medo que inunda meu ser, e que me cega e me maltrata...
E perdida nos labirintos internos, espiralando vou...

Anseio mais que tudo amar-me a mim mesma...
Aceitar-me a mim mesma assim, como hoje sou...
Acolher minhas próprias dores e transformá-las num trampolim para o novo...

O novo... que traz consigo a promessa da liberdade a mim destinada...

Anseio mais que tudo, que minha auto-aceitação seja, para mim, o suficiente...
 para que eu abandone de vez esta estrada tão gasta quanto percorrida, abrindo caminho para a busca da trilha de mata virgem que sou destinada a desbravar.

Porque queima dentro de mim um fogo ardente
Ao imaginar-me a mim mesma
Correndo à beira-mar...
Cabelos soltos e pés descalços...
Despida de todos os medos que me podam as asas,
Rumo à lua cheia!
Com a alma nua e o coração em flor...
Pois quero ser andorinha a voar, desbravando nuvens, saboreando o vento, cantando a beleza da vida, planando sob o sol... 
Feliz por simplesmente ser e aqui estar.

Desejo, mais que tudo, ter o amor verdadeiro fluindo livre e abundante pelo meu coração...
Amor pela vida e tudo que nela respira...
Amor este que só é capaz de parir-se através do verdadeiro amor próprio...
...Amor próprio que hei de conquistar!

E entrego ao vento, ao mar e à lua cheia o meu desejo de que eu saiba ser de mim mesma a melhor amiga e companheira...
 Que eu aprenda a cuidar e velar pelo meu próprio coração...
 Que eu encontre dentro de mim mesma a paz de simplesmente ser o que sou...
E assim, viver plena de contentamento, simplesmente feliz, enraizada no presente do aqui e agora...
Para, assim, poder transpare-Ser...
Para, assim, poder irradiar o verdadeiro amor e cuidado para fora de mim mesma
E poder ser mais um raio de sol a iluminar a escuridão.

Esta é, hoje, a minha oração.

Que assim seja.
E assim será.

28/12/12

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ladrão de Máscaras



Sempre Khalil Gibran...

"Um dia, muito antes de muitos deuses terem nascido,
 despertei de um sono profundo e notei 
que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas
 – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – 
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, 
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: 
“É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. 
E então o sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
 e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, 
e não desejei mais minhas máscaras. 
E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos 
os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança 
em minha loucura: a liberdade da solidão 
e a segurança de não ser compreendido,
 pois aquele que nos compreende 
escraviza alguma coisa em nós".

Gibran Khalil Gibran


...Reticências...




Cansei!
Cansei de ser triste...
De ser vítima...
De ser injustiçada.

Cansei de ser a dona da verdade...
De dar conta de tudo... 
Ou melhor: de achar que dou conta de tudo.

Cansei de ser melhor que os outros...
Cansei de ser pior que os outros...

Cansei da vaidade que me habita
Que me consome por dentro e aprisiona a minha verdadeira beleza...
Que aduba a minha inveja e me ilude dizendo que o inimigo está lá fora...
Que me afasta da humildade e faz da arrogância uma morada segura.

Cansei de ser o que esperam que eu seja...
E também de tentar ser o que, um dia, acreditei  e decidi que eu deveria ser para me sentir amada.

Cansei de confundir amor com co-dependência...
De precisar agradar à tudo e à todos, desesperadamente
E, assim, passar os dias a mendigar migalhas de um pseudo-amor que aprisiona o meu viver.

Cansei de jogar tantos jogos...
De inflar o peito para esconder a minha insegurança...
De sorrir quando quero chorar...
De vender minha alma em troca de um sorriso...
De trair a mim mesma em troca da aprovação alheia...

Cansei de frustrar-me com minha pequenez...
Cansei de sonhar com essa grandeza, tão idealizada quanto mentirosa, de ser perfeita, de ser "ideal".

Ideal para quê?
Ideal para quem?

Como diria Lenine, "eu quero mais erosão... menos granito".

Quero agora a liberdade de ser simplesmente eu!
De conquistar a paz do contentamento...
De ser assim, do meu tamanho...
Com os meus amores...
Com as minhas dores...
Com a minha sombra...
E com a minha luz.

Quero fazer as pazes com a minha humanidade
e, por fazê-lo, poder enfim respirar fundo, aliviada...

Quero, verdadeiramente, agradecer por ser o que sou, aqui e agora...

E também agradecer por tudo o que já fui.
Por todos os caminhos percorridos...
Por todos os tropeços...
Por todos os buracos em que caí por descuido, por necessidade ou por inconsciente vontade. 

Quero viver o perdão verdadeiro.
Aquele que brota da consciência plena de que sou a única responsável pelos absurdos e pelas graças que vivo...
E que me liberta das correntes que me aprisionam no rancor, envenenam minha alma e apagam o meu brilho real.

Quero ser grata por todas as dores sentidas
Para, assim, poder transmutá-las em flor.

Quero ser grata por todas as bençãos recebidas
E, assim, desfrutar verdadeira e plenamente de toda a beleza desta vida.

Quero, enfim, aprender a me amar.
Aprender a acolher-me a mim mesma, profundamente...
Para, assim, poder acolher verdadeiramente ao outro
E, enfim, ter a com-fiança para entregar o meu coração e colocá-lo a serviço do Amor.

Quero sentir na pele, nos ossos e no coração a Unidade que sei ser verdadeira
Para, assim, ter a coragem de tornar-me a gota d'água que se entrega ao oceano e que, por fazê-lo, nele se transforma...

Quero lançar-me ao precipício e, repentinamente, lembrar-me de que, SIM!
Eu tenho asas! Eu sei voar!

Quero ter a coragem de assumir e amar tudo aquilo que sou...
De acolher a minha dor
E olhar-me com olhos de doçura e compaixão...
E, assim, poder apenas ser.
E, assim, permitir que o outro apenas seja.

Só isso.

Só.

Aqui e agora.

Mas sem ponto: reticências...


Isabela Crema, 10/12/2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Abordagem Transdisciplinar Holística e Educação: Um novo olhar para a construção de uma cultura de paz.




Compartilho aqui, com muita alegria, a minha monografia de conclusão do curso de Psicologia, escrita em 2008:

Abordagem Transdisciplinar Holística e Educação:
Um novo olhar para a construção de uma cultura de paz.
Autora: Isabela Crema

Foi um processo muito desafiador e muito delicioso escrevê-la: trabalhar o conceito de Transdisciplinaridade, traduzindo-o da linguagem da física quântica para o público das humanas foi muito complexo e excitante e, justamente por isso tudo, acredito que não é justo deixá-la "empoeirando" no meu hd, solitária e inútil, já que foi escrita em meio a tantos arrepios e descobertas, com tanto amor e fé!

:)

https://docs.google.com/file/d/0B9hLzrLPHH2iakRyb3BmMEEzRlk/edit